Sem fila para retirar o RG

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Cadeiras vazias e nenhuma reclamação . O cenário encontrado ontem pelo O Popular no Instituto de Identificação da Polícia Civil de Goiás, vinculado à Secretaria de Segurança Pública (SSP), em nada se assemelhava com aquele mostrado no início de novembro pelo qual o jornal quando dezenas de pessoas buscavam informações sobre o atraso na emissão de carteiras de identidade. Das 30 mil fichas analógicas que esperavam cadastramento e digitalização no final do ano restam apenas 600, segundo a gerência do órgão. A expectativa é que toda a demanda reprimida seja atendida até 9 de fevereiro.
Embora o Governo de Goiás tenha anunciado em maio do ano passado a emissão do documento na capital em apenas sete dias, os protocolos para entrega vinham prevendo até três meses. Os protocolos foram potencializados depois que o contrato celebrado entre a SSP e a Oki Brasil, empresa responsável pela implantação  da plataforma foi suspenso por decisão judicial. O Ministério Público entendeu que houve favorecimento e superfaturamento, decisão que foi revertida em instâncias superiores depois de um ano e quatro meses, o que atrasou toda a programação do programa Goiás Biométrico, cunjo softaware Sistema Informatizado de Impressão Digital (Afis) custou aos cofres público RS 33,8 milhões.
Delegado de Polícia, Breynner Cursino está à frente do Instituto de Identificação desde 4 de dezembro. Ele entrou com o aval da direção geral da Polícia Civil para colocar fim às inúmeras reclamações. Inicialmente buscou onde pode equipamentos para digitalizar as fichas analógicas oriundas de todo o interior. “Antes, dos nove scanner, só três funcionavam. Hoje temos 25 trabalhando”. No setor de validação, que é a conferência dos documentos, dos 50 mil registros parados, 25 mil já foram processados. Para isso, ele implantou um programa de metas e premiações, passou a pagar horas extras no período noturno e finais de semana criou uma rota de rota de transporte para que o servidor esteja no trabalho a partir das 6 horas.
Segundo Breynner Cursino, um dos grandes gargalos, o sistema analógico foi extinto. A coleta de dados e de impressões digitais ainda com tinta era feita principalmente em pequenas cidades e em programas sociais.  “Além da validação ser feita na ponta, no momento do requerimento, temos dez kits do Goiás Biométrico que não eram usados nos programas sociais porque a internet não era disponibilizada. Agora isso não ocorre mais”, garante.
Foi o que aconteceu com o entregador Fernando de Oliveira Santana, 21 anos. Ele fez requerimento para obter uma nova carteira de identidade em setembro, cujo documento seria entregue em 11 de janeiro.
“Me falaram que eu teria que ir no Vapt Vupt para pegar a carteira, mas ela não estava lá”, contou ele na semana passada no Instituto de Identificação, onde localizou seu documento depois de quase cinco meses.
O empenho do ex-gerente do Instituto de Identificação, Antônio Maciel, possibilitou ganho de R$ 1,5 milhão em emendas parlamentares, recursos que serão aplicados na compra de ônibus com equipamentos digitais para emissão de documentos de identidade.
Esses veículos serão levados para os programas sociais, agilizando o processo de confecção das carteiras.
No início de janeiro a carteira de identidade goiana começou a ser produzida pela empresa Valid. A cédula conta com novos itens de segurança, entre elas o QR Code, código em 2D impresso no verso que armazena todos os dados do cidadão e permite a consulta da autenticidade.
Para desafogar a demanda reprimida foram impressas em janeiro cerca de 100 mil Cls e a expectativa da gerência do Instituto de Identidade é de que até 9 de fevereiro não haja mais acúmulo. Breynner Cursino aposta que a partir de então serão necessários 5 dias úteis para a entrega de documento na capital e 30 dias no interior, tempo que deve ser reduzido em março.
Fonte: O Popular (Malu Longo)